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A arte pós-pandemia: o espaço de acolhimento

Você já parou para pensar quanto tempo faz que você não vai ao teatro? Ou melhor, você já foi ao teatro? Se sim, sente falta? E se você nunca foi, já pensou em ir quando as coisas voltarem ao “normal”?

Em março de 2020, a pandemia do COVID-19 transformou o modo de habitarmos a cidade, de nos relacionarmos com as pessoas e consumirmos cultura e arte. Eu tenho quase certeza que o seu tempo nas redes sociais aumentou, o seu tempo vendo vídeos, trocando imagens e áudios também quase que triplicou. Falo isso, porque é uma realidade imposta e questiono se esse consumo exacerbado de tecnologias tem feito bem para as nossas vidas.

O nosso cotidiano foi sendo exprimido em um quadro de câmera, a arte que consumimos foi reduzida a passeios virtuais por museus, espetáculos teatrais de forma online e filmes enlatados feitos sobre demanda.

Mas, isso é arte? É uma experiência singular e memorável consumir arte mediados pelas mídias virtuais?

Acredito que não. A arte em sua essência é encontro e compartilhamento de vivências. Quando Leonardo da Vinci criou o famoso quadro de Mona Lisa, essa obra só foi elevada ao seu status de obra de arte quando centenas de pessoas estiveram de frente a essa epopeia histórica. Vale lembrar, que levou séculos para Mona Lisa se tornar um clássico, foi necessário o olhar social e cultural de críticos e espectadores que fizeram de Mona Lisa, Mona Lisa.

Ainda sobre a Arte como espaço de encontro e compartilhamento de vivências, não podemos esquecer do teatro. Segundo o teórico Walter Benjamin (1985), o teatro, diferente das outras artes, possui em si, uma concepção aurática. Isto é, a aura teatral é sinalizada pelo aqui e agora, fazendo com que o elemento da presença do espectador constitua na arte teatral sua verdadeira potência.



A ida ao teatro, a entrada naquela sala com inúmeras poltronas, rever amigos e ao término da peça, um café ou um vinho para conversar sobre o espetáculo faz com que essa experiência em adentrar a um novo ambiente, de estar vibrando e respirando com uma gama diferenciada de pessoas, torne a arte teatral, uma arte imortal. Mesmo que milhões de pessoas não consumam teatro e não frequentem esses espaços, enquanto houver um artista, um espectador e um espetáculo, haverá teatro, vida e troca.



Somente no espetáculo ao vivo, podemos sentir o gosto do riso e das lágrimas alheias, somente na ida ao museu, podemos observar e contemplar a obra sem filtros e camadas.

Por isso, quando a vacina chegar, os espaços culturais forem reabertos e as ruas voltarem a serem ocupadas pelos artistas, vá ao teatro, vá ao museu, vá as ruas a procura de arte pública. Afinal, a arte nos dias atuais está aqui para nos acolher e promover experiências singulares em nossas vidas.

Espetáculo: O Terreno Baldio. Largo da Ordem - Curitiba, 2017 - Fonte: Cristiano Freitas


Por Victor Emanuel Carlim, professor de teatro, pesquisador, ator e arte-educador. Mestre em Artes pela UNESPAR Campus II FAP e Formado em Licenciatura em Teatro pela mesma universidade.

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