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Artista – o atleta das emoções

Você já deve ter visto através de documentários, filmes e outros veículos de comunicação o quanto um velocista dedica de seu tempo e energia em treinos diários para competir em importantes corridas. São grandes atletas que precisam equilibrar saúde física e mental para entregar uma boa performance no esporte. Mas, e quando este atleta não é da área esportiva, e sim do âmbito artístico, quais são seus grandes desafios? Afinal, o que define um atleta?

Em uma rápida pesquisa pela internet, me deparei com definições variadas do termo “Atleta”. Algumas definem como competidor, aquele que pratica um esporte. Já na sua origem epistemológica, descobri que atleta vem do grego “átlhos”, que significa luta, combate em jogos e competição. No Latim, atleta significa lutador.

Parece que todas as definições caminham para a mesma concepção de atleta. Aquele que luta, compete. Alguém que propositalmente terá um oponente, participará de um jogo de competição. Tais descrições contemplam o entendimento do termo atleta, porém, ao inserir essa mesma palavra no campo das artes, definindo o artista como atleta das emoções, devo supor que o artista lutacontra suas emoções? A título de exemplo, posso presumir que então um ator em cena compete com outro ator no âmago da criação teatral?

É necessário ressignificarmos o conceito de Atleta. Vamos assumir que atleta é aquele que dedica de sua vida, seu tempo e seu mundo ao ofício que escolheu ou foi chamado para realizar ao longo de sua história. Quem dedica sua vida ao esporte, por exemplo, assume um compromisso vital de treinamento, aperfeiçoamento de técnicas e exploração de potências e possibilidades corpóreas. Nesta exemplificação, mora o artista também.

Para existir um artista, logo, um atleta das emoções, reside uma escolha de vida. Um chamado. O atleta das emoções se abre para o mundo, como uma mãe se abre para dar o colo a sua criança. O artista entrega-se as técnicas de seu ofício, em uma busca diária de aperfeiçoamento. Se o velocista precisa cuidar de sua alimentação, treinar regularmente e obter hábitos que estimulem o corpo a se movimentar, o artista possui métodos semelhantes em sua área, seja teatro, dança, cinema, ou a mistura delas.

Nesta perspectiva, cabe citar o mestre do teatro e da interpretação oriental, o artista Yoshi Oida. Autor de diversas obras sobre atuação e o trabalho incansável do ator, Oida apresenta em seus livros experiências intensas sobre o ofício do ser ator. Ele estabelece protocolos de trabalho específico, como a chegada do ator ao local de ensaio, o aquecimento, o trabalho dedicado ao movimento corporal, a escuta, aos sons, as falas, entre outras vertentes que compõem um atleta das emoções.

Desta maneira, ser artista é aceitar este chamado com respeito e dignidade. É ministrar a relação intensa e conjunta entre emoção, corpo, voz e mente. Para isso, o atleta é um ser de hábitos e processos, dos quais alguns resultam em grandes vitórias e outros em grandes espetáculos. Agora, qual atleta é você?

“Os seres humanos não existem apenas a meio caminho entre o céu e a terra, mas existem para religar o céu e a terra. ” Yoshi Oida.

Victor Emanuel Carlim é professor de teatro, pesquisador, diretor e ator. Mestre em Artes pela UNESPAR Campus II FAP e Formado em Licenciatura em Teatro pela mesma universidade.

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